Variações

De

O amor tem dois lados: a ruína e a semente. Ele pode lhe destruir ou ser o início do que florescerá.

Dito isto, não estou aqui para determinar o que o amor é, ou o que ele fará na vida de alguém. Estou apenas divagando sobre como tudo tem dois lados — e o amor também tem. Ele não é só romantismo e conto de fadas. Ele vem com desejo. Tesão. Moldes da sociedade. Mitos falaciosos. Vem também com dor, discussões, lágrimas. Nada é tão cor-de-rosa.

Pensando nisso: como conseguimos amar? Afinal, precisamos equilibrar essas duas facetas. Precisamos de maturidade para lidar com essas variações naturais de um relacionamento. Então, como? Quais são os caminhos saudáveis para que o amor floresça sem tantas ranhuras? É um questionamento frequente. Mas sem peso, sem ponderações que anulem o quanto amar faz bem.

Sempre acreditei que amar o outro, seja romanticamente ou não, é parte essencial para o bem-viver. É a sensação calorosa de ter com quem contar. Contudo, precisamos sempre lembrar: somos humanos e erramos. A parte que dói em um relacionamento é quando ele se transforma em veneno para ambos os lados, simplesmente por nos negarmos a aceitar as falhas do outro e suas doses de companheirismo. O erro vira o peso maior na balança e serve de justificativa para que os laços sejam cortados. Mas se o erro vem dos dois lados, por que pesamos tanto a mão para julgar o outro? Novamente, seguimos no questionamento.

Quando o relacionamento se transforma em algo tóxico, em um veneno sem cura, realmente necessita de cortes na raiz. A semente floresceu, mas apodreceu pelo caule: a ruína prevista. O que acontece muito é que não percebemos esses estragos. Não vemos a torre desmoronando e continuamos ali, tentando reconstruí-la. Não notamos que ela já não aceita reformas. O que estamos fazendo, na verdade, é recolhendo os pedaços caídos no chão e tentando remontá-los, insistindo em encaixar peças de Lego que já perderam o formato.

Agora, pensando pelo lado harmonioso: quando conseguimos entender o tipo de relacionamento que queremos e o tipo de pessoa que desejamos ser; quando entendemos que erraremos, mas que temos a possibilidade de ajuste ao longo do tempo, conseguimos nos relacionar com mais clareza. Mais abertura. Mais sinceridade. Haverá conflitos, porém não serão momentos capazes de afetar a relação como um todo. Tentar entender o parceiro sem julgamentos, abrir-se para as mágoas, refletir sobre os próprios defeitos e expor isso à pessoa que decidiu ficar e te apoiar é, talvez, a maneira mais saudável de viver a vida com amor.

Amar tem dois lados, mas dependerá de como você vê o amor e de como deseja tê-lo para si. Talvez meus questionamentos sejam apenas divagações sem rumo. Por fim, amo quem está ao meu lado. Sei que peco como humana, mas tenho — e sempre terei — tempo de corrigir o que sou para ofertar o que tenho de melhor. O amor.