Falha

De

Eu tenho guardado outro post, uma outra crônica que seria postada esse mês, contudo resolvi ter algo mais cru, menos lírico, menos poético. Um diário sem pretensões, sem nada tão grandioso. Só eu.

Sou a Saka, prazer! Talvez não me conheça, ou me conheça pouco. Para alguns sou alguém divertida, despojada, extrovertida; para outros, impaciente, agressiva, impulsiva; e, para outros ainda, alguém quieta, observadora. E acreditem, nenhum desses adjetivos resume bem quem sou; na verdade, são meras ilusões. Até mesmo para mim. São palavras soltas que espelham o que desejam de mim, ou o que eu quero que as pessoas vejam. Não sei.

O que sei é que tudo não passa de meros conjuntos imaginários que sobrevoam a mente de todos, e nada parece me comportar. Me sinto sempre fora do eixo, fora de tudo isso. Fora dos moldes que impõem. Me sinto um peixe morrendo sufocado porque me tiraram da água — o problema é que nem aquela água era pra mim.

Sinceramente, me sinto inútil. Sinto que tudo é um grande blefe, que nada é merecido, nada é bem feito quando vem de mim, nada é válido. Que não mereço os amigos que tenho, a família que me gerou, as parcerias que conquistei, os aprendizados que me edificaram de algum jeito, o que pude repassar do que aprendi. Nada parece ser meu. Nada parece ter vindo de mim. Ilusório. Falseado.

Tanto tempo apreciando o outro, apoiando o outro, esquecendo de mim, que agora parece um vão enorme entre o trem que seria minha vida e a plataforma onde parei. Eu não consigo acreditar que aquele trem realmente é minha vida, que ele realmente me levará para algum lugar. Sinto que a plataforma é o único espaço que é meu. Algo parado. Estático. E dificilmente pularei para dentro daquele trem quando as portas se abrirem.

Me sinto patética em abrir isso ao mundo, dentro de um blog que deveria ser um alívio poético; porém, aqui escrevo o que sinto, seja dor, tragédia, amor, alegria. Mesmo achando que também não me pertence. Cada letra digitada, cada frase, verso, parágrafo aqui disposto. Tudo me parece falso.

Sinto que é fácil para mim irritar as pessoas, afastá-las, deixá-las magoadas, chateadas ou até frustradas comigo. Sou campeã nisso. Minha instabilidade emocional é um grande ímã para distanciar quem amo. Mas, ao mesmo tempo, quem entenderia? Como alguém desejaria entender uma pessoa que não se importa consigo? Que não sonha, não pensa no futuro, nem acredita que terá um? Alguém que tem medo de perder o outro por qualquer coisa, mas não liga se acontecer uma tragédia consigo. Não tem medo de nada que possa ser maléfico para si, mas teme pelo outro. Como alguém se interessaria em ficar ao lado de uma pessoa assim?

Enfim, me sufoco no meu próprio mar, a cada dia que me aprofundo nele. E vou me afastando mais e mais da superfície. A luz que me atingia agora é um fio fraco, quase imperceptível, engolido pelo breu desse meu mar. E com quem eu me importo, uma hora, não conseguirá mais me dar a mão. E eu sei que toda a responsabilidade é minha.