Acordo com você ao meu lado, e um sorriso floresce em meu rosto, iluminando a alvorada. Observo seus traços, suas linhas, e, delicadamente, deslizo da cama para não te acordar. Você repousa de bruços, o lençol cobrindo-a da cintura para baixo, e a curva de suas costas nuas desenha a paisagem do meu olhar. Seus longos cabelos caem como um véu sobre a coluna, e meus olhos memorizam a cena: seu corpo, o poema visual que minha alma deseja guardar.
Em outros tempos, a manhã era apenas a contagem do tempo. O sol, mero calor. O café, uma simples bebida. Mas nessa manhã, o mundo virou poema, a vida virou arte. Nas pontas dos pés, deixo o quarto a caminho da cozinha para preparar o café dessa manhã quente. Olho pela janela e vejo os raios do sol beijarem o mar à frente. Um mar que se mistura como aquarela com o céu azulado, uma pintura natural com cheiro de sonho e sal. Enquanto preparo o café, coloco uma música em volume baixo para contrastar com o quadro da praia lá fora. A melodia me envolve e meus pés se movem em uma dança silenciosa, que aquece o corpo.
Na dança, no ritmo, o café fica pronto, as frutas para o café da manhã estão cortadas, e a luz se torna mais forte, o cheiro do mar se intensifica. Meu corpo se permite soltar-se e volta a dançar. Alegre, mal percebo sua chegada, silenciosa, envolta no lençol que há instantes cobria seu corpo. Você me olha serena e com admiração. Meus pés ganham vida própria e se aproximam, te puxando para dançar. Você, sem amarras, se entrega, sorrindo. Dançamos até o fim da próxima música. Um só corpo, uma só sensação.
Nos ajustamos nas cadeiras para tomar nosso café. Havia entre nós uma cumplicidade de almas. Uma sensação nostálgica da liberdade de ser. Nossos olhares falavam mais do que nossas línguas. Nossos toques eram poemas, que se mesclavam à tranquilidade da praia. O cheiro agora era a mistura harmônica do mar, da areia, do café e o seu aroma único. Nessa manhã, acordei em um sonho. Um poema vívido, ritmado por nossas ações. Nessa manhã, senti o silêncio da paz. Nessa manhã, soube o que era amar.

