Tem algo no inverno que me seduz: o frio que pede um calor a mais, as roupas elegantes, os perfumes que preenchem os ambientes. As conversas em torno de cafés quentes e os sorrisos ao encontrar pessoas queridas. Há uma cor diferente no inverno, um tom que não colore, mas é possível sentir que sua paleta é calorosa.
Nesse inverno, o frio de fora apenas realça um calor que vem de dentro. Meu coração se aquece com um amor incomum, de uma leveza que não depende da proximidade. Mesmo longe, a linha que nos conecta se reforça em uma comunicação natural e fluida, como se soubéssemos há tempos que era para ser. Quando perto, a presença um do outro transforma o inverno em um outono ameno, que aquece até os que estão ao redor.
Essa sensação confirma o que sempre pensei sobre o amor: que ele deve ser tranquilo, sem moldes ou regras. Um amor que inspira e vem livre de amarras, permitindo que cada um seja quem é. É um espaço onde a individualidade existe com a mesma força que a vida a dois, onde as diferenças são aceitas e o que é comum é aprimorado.
É compreender que amar é mais profundo que um namoro ou uma amizade. É evoluir como pessoa e apoiar a evolução do outro, cada um no seu tempo. É ter um lugar seguro para se abrir com alguém que se conecta com você, onde a escuta atenta é natural e os sorrisos contagiam.
Para os olhos dos outros, essa liberdade sem rótulos pode ser uma interrogação. Para mim, é a exclamação que faltava; o ponto e vírgula para algo muito maior.
E é nesse inverno que me sinto aquecida por seus abraços sinceros e seu coração me dando espaço para ficar, como se Rita Lee cantasse em “Minha vida”:
Desenhos que a vida vai fazendo
Desbotam alguns, uns ficam iguais
Entre corações que tenho tatuados
De você me lembro mais
De você, não esqueço jamais.
Sim, o inverno tem sua sedução, mas nada se compara à sedução de amar assim, livremente, sem definição.

