No parque, ofegante, depois de uma corrida, sentindo o peito subir e descer, tentando buscar o ar fadigado, sento-me em um banco. O sol queimando minha pele suada e o vento tímido tentando refrescá-la. Olho a poeira da terra subir, e a saudade se acomoda em meu peito, um peso familiar e doloroso.
Sinto suas mãos me tocarem, seus abraços me apertarem em um invólucro de calor e ternura. Um sussurro com o timbre da sua voz chega aos meus ouvidos, e um sorriso, frágil como uma flor que desabrocha em meio à aridez, se apresenta em meu rosto. O sol esquentando minha pele parece suas mãos deslizando por ela, aproveitando o contato, aproveitando a união que transcende o tempo e o espaço. Seu cheiro, seu carinho, sua presença, misturados ao frescor das folhagens caídas pelo inverno, sua alma caminhando com a minha em um balé silencioso e eterno.
Meus olhos permanecem fechados, recusando-se a ver a verdade, a voltar ao mundo que parece tão insípido sem você. Não quero perder seus detalhes, suas linhas delicadas, seu olhar marcante, o brilho que só seus olhos poderiam me ofertar, um farol na escuridão. Eu mergulho no seu mundo que está tão longe de mim, mas que sinto tão perto, tão meu, uma extensão da minha própria essência. A saudade aperta o peito, uma dor lancinante que, ao mesmo tempo, acalenta, acalma, sussurrando que você não se foi, que ainda reside em cada fibra do meu ser.
Se eu abrir os olhos, a verei novamente ao meu lado, materializada do éter da minha memória? Poderei sentir seus lábios nos meus, um beijo que selaria a promessa de um para sempre? Sua mão entrelaçando a minha, como quem diz, sem falas, que estamos juntas, que somos uma só melodia em meio ao caos do mundo? Sinto que estou há horas neste banco de parque, com os olhos fechados, enganando a mim mesma, prolongando a doce ilusão. A dura realidade se impõe, um grito silencioso que ecoa em minha alma: Você não está aqui. Você não está perto de mim, não está mais perto do meu coração, pois partiu para um lugar onde minha voz não pode te alcançar.
Algumas lágrimas escorrem, salgadas e quentes, lembrando de quando nos despedimos, do momento em que tivemos que nos separar, uma ferida que nunca cicatriza. Você me abraçou como se o mundo estivesse se desfazendo, desejando me proteger da iminente catástrofe, desejando ter-me ali para sempre. Em seus braços, eu era invencível, inatingível. Respiro fundo, buscando a coragem que me permita aceitar sua ausência, para não mais lhe ver ali, sentada ao meu lado, sorrindo para mim, uma imagem cruel da minha mente.
Aos poucos, abro os olhos, deixando o sol clarear minha visão, e como um sonho que se materializa na mais pura realidade, você surge. Seus olhos profundos, um oceano de emoções, seu sorriso de vidas passadas e futuras, suas mãos esquentando meu rosto, dissipando o frio da solidão. Me jogo em seus braços, com as lágrimas caindo em cascata, um rio de alívio e gratidão. As palavras se soltam, frágeis e poderosas, e um “eu te amo” cantado, um hino de reencontro, é dito.
A saudade que apertava o peito, aquela que parecia um nó cego, finalmente se desfaz, como névoa ao sol da manhã. Seus beijos preenchem com calor cada espaço vazio da minha alma. O sol não queima mais tanto quanto seus abraços, que me envolvem em um fogo sagrado; o vento não me atinge mais tanto quanto seus carinhos, que são um bálsamo para minhas feridas. As árvores não são mais belas quanto teus olhos se afundando nos meus, um universo particular onde me perco e me encontro. Eu te amo, desculpe por toda a espera, por toda a dor, e percebo que é recíproco, um eco de amor que ressoa entre nós. Em um parque, ofegante, depois de uma corrida, a saudade me trouxe você de volta. Agora, você fica?

