Sento-me na cadeira de frente a sacada, olhando o por do sol. Vejo os raios de tom laranja dissipar entre as nuvens. As cores se misturarem e um rosa alaranjado se formar, dando mostras de que a noite se aproxima. Um sorriso tímido aparece. Apareceu para aquela linda paisagem aquarelada, aquela linda paisagem que enterra todo e qualquer sentimento que um dia pude ter.
Ali, sentada vendo o dia virar noite, é ali que sei que não há nada a sentir, não há nada a guardar, não há nada a ser. Tudo que um dia disse como amor, agora é só uma lembrança fugaz e irrisória. Todo carinho entregue já não existe mais, toda bondade, agora é para outros. Enquanto a noite chega, tudo que um dia senti, não passa de uma lembrança que pode ser esquecida. Pode ser trancada, ou apenas deletada, afinal, o passado me ensinou a crescer. Tanto quanto me deu traumas. Contudo, o passado me mostrou que ele não é meu futuro e jamais, jamais será. Ainda bem, afinal, meu presente é bem melhor sem um passado o assombrando.
A noite chega, o céu escurece, os tons rosados dão lugar a tons de vinho e roxo, com nuvens brincando entre a lua. E meu sorriso se alarga, respiro fundo aproveitando aquela cena, admirando o que sempre perdia. A vida. Agora como uma nova chance, a pá de cal foi posta e de hoje em diante, a única felicidade que procuro é a minha, somente e tão somente minha.
E nada que esteja depois da pá de cal, voltará. Não importa o que seja, enterrado foi e com ele qualquer resquício de amor.

