A visão quebrada, distorcida, arranhada. Espelhada no espelho trincado a minha frente, mostra o claro reflexo da alma fragmentada que tenho. Meus dedos alcançam o espelho trincado, seguindo a estrada frágil da dor, como se estivesse tocando meus próprios destroços. Meus próprios cacos.
Minha imagem representando a dor profunda de algo retalhado. Em cada estrada costurada, era uma alegoria do que não soube dar valor. O trincado do espelho transformado em uma árvore sem vida, com galhos finos e frágeis. Uma metáfora para a aparência externalizada do que minha alma é.
Tocando esse espelho, tocando minha alma sensibilizada, as lágrimas descem, escorrem, decretam meu fim. São gotas ácidas de sentimentos escondidos, retorcidos, segmentados. Onde o bom se afunda e submerge o que dói.
Nesse espelho trincado, minha alma esfacelada se encontra. Nele vejo a verdade e ela nada se parece com um sonho. Contudo, só eu vejo, só eu sinto, só eu sei.

