Passado

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Hoje é o trigésimo quarto ciclo que inicia para mim. Fechando assim o anterior do qual recapitulo, afinal, agora, faz parte do meu passado.

O ciclo que se encerrou hoje, iniciou-se há um ano, exatamente nesse mesmo dia. Como em todos os anos, revejo tudo que aconteceu da etapa que se foi. Talvez, não seja um hábito descrever essa retrospectiva. No entanto, é a maneira mais simples de despejar minhas mazelas, minhas alegrias e todo meu desespero.

Do dia 19 de dezembro de 2023 para cá, senti tudo que alguém sucumbido ao inferno sentiria. Exagero? Sim e muito, mas tenho licença poética, ainda mais que é sobre mim. Ok, ok, não fora tão ruim assim, em partes.

Tive meses amenos, meses de completo vazio, desespero, meses de alguns sorrisos e meses de vários sorrisos. Finalizei o ano de 2023 me sentindo um pouco viva. Havia iniciado o Muay Thai, tentando acalmar e esvaziar minha mente. Bem, até o fim daquele ano fora desse jeito, já o início de 2024…

Ao entrarmos no ano seguinte, ou seja, no que está prestes a terminar. Eu me sentia em um poço tão fundo, que mesmo escalando não conseguia chegar a superfície. O vazio me consumia, os problemas ditavam as regras na minha cabeça e nada, literalmente nada, era bom. Vivia na frieza, na grosseria, na defensiva. Meu humor instável, repelia quem quisesse me ajudar. Mesmo eu notando, preferia fingir do que desprender-me do meu orgulho. Difícil. E não falo para mim, mas para os outros.

Os meses passavam e eu me sentia ainda mais cansada, principalmente com as cobranças que eu mesma tinha sobre mim. Minhas expectativas. Nada era mais cruel do que eu me cobrar, eu me machucar. E logicamente, acabei externalizando isso para os outros. Idiota.

No meio do ano, por culpa minha (em partes), meu relacionamento se findou. Não soube lidar com minhas instabilidades de humor, meus demônios. Nesse ponto que tudo desmorona. É ali que sinto a pá de cal. Tive várias crises de ansiedade. Tive vontades absurdas de fugir para o plano astral. Foi ali que senti o quanto era fraca (ok, novamente exagerando). Fiquei um mês sendo um zumbi, um mês vivendo sem viver. Expressando para mim o quanto queria ir ao plano astral. Sem desejo algum, imaginando o quanto eu era patética. Tenho as cicatrizes do que eu vivi, na alma e no corpo. Fui a pior para mim. Percebendo a loucura, o furacão que estava, me restou escutar meus amigos. Olha só, restou… Eles me ajudaram, e ainda digo restou? Como pode não é mesmo? Como disse, sou patética. Voltemos, não me restou escutá-los, era a única salvação plausível.

Nesse interim, escutando meus amigos, voltei a me enxergar. Retornei ao Muay Thai, comecei a realmente ir na academia, voltei a estudar. Voltei com a terapia e, fui dispensada de onde trabalhava. Para muitos isso seria um baque, mas para mim foi salvação. Precisava ter um tempo para me organizar, precisava de tempo para mim. E com isso, chego no dia de hoje.

Hoje, acredito que não estou melhor, ainda tenho várias lacunas para ajustar e polir. Ainda estou aprendendo a me tratar com amor. Minha autoestima ainda é baixa, tenho vários muros que subi para me defender, até mesmo de mim que preciso derrubá-las. No entanto, aos poucos estou conseguindo lidar. Estou lutando comigo para ser alguém melhor. E para isso, preciso deixar o passado onde ele deve ficar. No passado.

Que o passado me impulsione para um futuro melhor, mas que ele não venha comigo. Que o passado seja minha fonte de aprendizado, mas que entenda que não deve se mover ao meu lado. Que o passado saiba o quanto sou agradecida por ele, mas que entenda que ele precisará permanecer lá. Que o passado me reconforte, mas entenda que será só a lembrança.

Um novo ciclo se inicia e com ele uma nova página. Sendo assim, a anterior deve se terminar. Se encerrar. Então o encerro. Agradeço por tudo que vivi. Sou grata por todos que estiveram nele. Agradeço por tudo que passei e por tudo que aprendi. Contudo, eu os deixo agora no passado, para que possam ser memórias. Daqui em diante, escrevo um novo capítulo e que nele contará uma nova aventura, uma nova história.

Obrigada por mais um ciclo que se inicia e obrigada por mais um ciclo que se fechou.