O único jeito que sei me despedir

By

By

“Penso que a vida é um sonho e que a morte é o despertar deste sono profundo.” Laura Andrade Costa

Início a única maneira que sei me despedir com uma citação que invoca o que sinto. O vazio que me consome, o desapego que eu carrego.

Sou um lixo de ser humano, uma vida patética, um propósito pífio. Ainda nem entendo o porque nasci ou até mesmo o motivo de não ter me permitido partir quando tentei.

Tudo que faço é errado, é fora dos preceitos que as pessoas esperam de mim. Sou sempre a responsável por tudo que sai dos trilhos, das trilhas de qualquer coisa que seja realmente boa. E devo ser realmente, se nem eu mesmo tenho amor pelo que sou, pelo que vivo. Quem dirá os outros, não é mesmo? É, sem dúvidas, sou o erro que deveria ser apagado.

Me despeço desse sonho, maldito ou bendito que eu não deveria mais ter. Não tenho mais vontade, mais saco, mais nada. O que tenho já foi, despedaçou, são trilhões de cacos que peguei e os enfiei em todos os lugares ainda possíveis de mim, rasgando, dilacerando, me sufocando para não precisar mais sentir. Literalmente não sentir.

Os cacos não se juntarão mais, não serão e não são mais úteis.

Me despeço do que um dia eu tentei ser, do que um dia esperaram que eu fosse e do que jamais conseguiria chegar. Me despeço de quem me acolheu e também de quem me abandonou. Me despeço de quem um dia amei e de quem nunca senti nada, nem rancor. Apenas me despeço. Todos, tudo e qualquer coisa fez parte disso. Pena que não soube aproveitar e sinceramente… Nunca mereci.

Me despeço como em um sonho, agradecendo. Mas no fim, que sejam para vocês o que eu nunca fui para mim. O desejo de serem a vida cheia para com vocês primeiro e depois para qualquer outro.

Sejam felizes e jamais esqueçam, sempre haverá alguém para te escutar.