Um ano… Um ano a mais de vida e um ano de morte. Celebramos sua vida e sua morte praticamente juntas, como um início e fim tão interligados que não havia necessidade de um espaço entre eles. Como soube? Como entendeu que o fim viria um mês após dar um largo sorriso por ver todos que amou? Comemorou mais um ano em volta de todos que a amaram e amam, em torno de todo carinho palpável e existente para ti. Como sabia que seria o último?
Sinto sua falta, não, não é só falta, é um vazio. Um misto de culpa pelo pouco tempo que passamos e lembranças dos tempos que fui envolta por todo teu cuidado e carinho. Talvez o tempo não mude a cicatriz que eu mesma criei, pelo mínimo esforço que fiz para passar mais tempo contigo, no entanto, sei também que foi o planejado, era para ser.
Mudar o nosso passado não está em jogo e tampouco aceitaria mesmo que, passe sempre por minha cabeça, como seria se eu tivesse sido mais presente, mais neta. Um aperto no meu coração, sempre é o que acontece com esse pensamento, dói.
Será que um dia voltaremos a nos ver? Será que terá um lugar guardado ao teu lado? Como na música Nuvem de Carolina Deslandes. Essa música sempre me traz todos os sentimentos que tenho por ti, me transborda.
Não te ter por perto ou não saber que está assistindo a tv Aparecida sentada ou deitada em seu sofá na sua casa, ali perto do parque Takebe, é estranho. Estranho não saber mais como a senhora está através de minha mãe. De saber que quem ligou foi minha mãe e não meu pai, de escutar minha mãe falar para ele a necessidade dele ir lhe visitar. É estranho.
Tudo parece mais silencioso, mais distante. Entretanto, ainda sinto o quanto me moldou. Sua vida foi doce tanto quanto sua partida, não foi dolorosa, não foi só, foi como queria em vida, todos reunidos, como a família que sempre fomos. Obrigada por nos ter esperado para a despedida, obrigada por tudo.
Será que a senhora guardará um lugarzinho para teus netos aí contigo? Só cessarei a saudade, quando me aconchegar ao teu lado novamente. Não posso dizer em breve, mas quando for a hora, a senhora me abraçará?

