O sufocante dia que me vi sofrer

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A lâmina cortando minha’lma, como uma fina camada de água gelada entrando em meus pulmões. Me sufoco com meus pensamentos, me desalinho e me intimido comigo.

O vazio que me consome não deixa sobrar uma gota de sangue limpo em meus vasos. Sinto que virou um veneno que aos poucos me dilata, me enfraquece, me amordaça. Talvez seja um exagero, uma loucura, uma insensatez, no entanto, quanto mais aprofundo na minha dor e no meu ser, mais me sinto despreparada, insegura e aflita.

Sinto um amargor ao falar sobre mim, ao tentar expressar o que sou e sinto. Ao expor o mínimo que seja do barril de lamúrias que guardo no peito, sou consumida por migalhas que jogo para mim mesma, migalhas estas que me dão um pouco de gás, um pouco de sobrevida.

Quando realmente terei coragem de me enfrentar, não só no espelho, mas no mar profundo que pouco consigo respirar? Quando em meu âmago permitirei sentir sem que meu orgulho seja ferido? Quando?

Enquanto isso, aos poucos vou aprendendo que a navalha afiada cortando meus pulsos foram postas por mim, aprendo também que essa mesma navalha só é cortante nos meus devaneios e que na vida real, ela obrigatoriamente deve continuar como está. Cega. Me permitindo seguir, caminhar e viver tudo que mesmo com dor, eu possa viver.