Escutando uma música chamada Início do fim da Carol Biazin, olhando pela janela do ônibus, vendo o céu ficando azulado e sentindo a música passar pelos meus ouvidos e metralhando, desconfigurando meu coração.
A música fazendo sentido, me corroendo como ácido em metal, destruindo o que construí para me iludir nos momentos mais difíceis. O a dois não existe mais, mas acreditamos piamente que sim. Dói, de maneira nefasta nos obrigando a continuarmos num laço que se desfez, se desatou.
Silenciosamente vamos nos afastando, nos desmanchando, como pinturas antigas sem cuidado. Deixando todo o sentimento de lado e fingindo que estamos bem, mesmo com toda falta de paz e o vazio transbordando entre nós.
A música apenas pergunta “será o início do fim?” Ou apenas o fim de algo que nunca existiu? Dói não ter resposta, mas dói ainda mais esconde-la quando ela é nítida aos olhos.
Meu coração corroído, apenas dá o sinal para aproxima parada, desço enquanto a música termina e meus olhos sem permissão deixam lágrimas caírem com a sensação de ali ser a última parada.

