Fim

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Sozinha em um banco de parque observando as pessoas lhe encontrei. Você estava cheia de energia, vivendo como se fosse o último dia, enquanto a mim, vivia acreditando que estava demorando para chegar o fim.

Mesmo tentando observar outras pessoas, meus olhos voltavam a ti, a sua áurea pura, seu sorriso infantil, mesmo já sendo uma mulher. Me intrigava como poderia ser tão feliz em mundo tão cinza? Sua felicidade parecia contagiante, mesmo eu apenas observando me pegava por vários momentos sorrindo desconcertada apenas por olhar sua felicidade.

Nossos olhos nunca se cruzaram, porém senti que já estão cruzados pela eternidade só pelo espaço mínimo de tempo que pude vê-la sorrir. Achei isso bobo e me alegrei pelos meus delírios momentâneos.

O quão poderoso é essa sua felicidade explícita, pena que só tive está degustação doce e colorida enquanto a observava do banco que estava.

Decidi partir, levantei-me do banco ainda olhando para cada detalhe possível de ti, até que nossos olhos realmente se cruzam. Me espantei e encabulada fiquei, afinal estava até agora sendo a observadora e não queria reciprocidade nesse ato. Agora sou a observada, dei um meio sorriso envergonhada e parti indo ao lado oposto de onde você estava.

Fiquei aliviada pelos nossos olhos não estarem mais cruzados, entretanto me peguei novamente sorrindo, sentia que conseguia ver naquele milésimo de tempo o que sou, nua, sem nada e sem perceber, ali estava na minha frente, me dizendo oi e pedido meu número.

Naquele momento percebi que você partiu com o meu número sorrindo, vivendo intensamente o instante e eu parti pelo lado oposto com o coração pulsando e a vontade de sentar em um outro banco desse parque e lhe ver vivendo energicamente mais um dia. Só mais um dia.