Sentada em um banco do jardim botânico, olhando o verde do lugar, a brisa a passar por entre meu corpo, a paisagem mais bela que poderiam me oferecer neste dia. Começo a interagir com o lugar, mesmo que seja por minutos ou apenas horas, me pego desenhando a paisagem, quando me dou conta realmente, vejo que a desenhei.
Sem perceber minha mão sabiam exatamente cada detalhe de ti, mesmo canhota que sou, era preciso os detalhes, de uma riqueza sem igual. Havia algo de estranho nessa situação, algo familiar, como se aquele momento fosse um Déjà vu, mesmo que, eu jamais estive no jardim botânico, pelo menos não quando mais velha, que eu lembre.
A sensação não saia do meu corpo, uma energia incomum, não ruim, pelo contrário, algo leve, cheio de vida, porém estranho, oras… Como poderia crer que aquilo havia acontecido em algum momento da minha vida, e ainda descrever a partir de um desenho a pessoa que mais amei? Como pode? Largo meus papeis e o lápis ao lado no banco, jogo meu corpo em um movimento brusco para trás, encaixando meu tronco e costas certeiramente no espaldar do banco, e relaxo, já não entendendo o que estava acontecendo.
Começo a lembrar de situações em que meu coração apertava, minhas mãos tremiam, e no final, aquilo era um sinal de que você estava mal, algo acontecia. Ligava imediatamente ao pequeno sinal de algo errado e batata… Algo realmente estava acontecendo. Me parecia estranho tal conexão, me parecia mágico e ao mesmo tempo satânico, não que fosse ruim, porém a bruxaria fora muito bem feita.
Olho para o lado na direção do desenho, imaginando sua felicidade ao vê-lo, ou, seu ego sendo inflado por ter sido desenhada, por ter sido musa, sem ao menos saber. Sorrio, pois por algum motivo noto que está bem, mesmo que não esteja ao meu lado, sinto que está bem, talvez se equilibrando para não cair, seguindo cada passo vagarosamente, aprendendo a ser você. Aquilo me dá um calafrio, olho para todos os lados, e não ha nada, nem ao menos um pingo de vento, levanto do banco, pego minhas coisas, e começo a caminhar.
Sem pensar, enquanto caminhava, tiro do bolso meu celular, o ligo, e a primeira coisa que vem em mente é lhe dizer oi, travo e prefiro desligar o celular, afinal, a vida do outro não deve ser atrapalhada por nada, sigo meu caminho, observando todo aquele verde revigorante a minha frente.
Percebendo o tempo mudando dirijo-me para a saída, paro um momento, um barulho me incomoda, é meu celular, existe uma mensagem, era sua. Dizia, “oi, senti que queria falar algo comigo, não sei se é verdade, mas resolvi mandar um oi”, nesse momento, tudo parecia certo, tudo parecia muito bem destinado.
A conversa continuou e a volta para a casa fora só sorrisos e muitas conexões sem porquês.

