No frio inebriado, sentada em frente a uma lareira, enrolada em uma manta e com uma xícara de café nas mãos, aguardo tranquilamente tu. Enquanto tu não chegas, recorro a minha memória, ruim por sinal, com lembranças falhas e um certo ferrugem, fazendo as engrenagens não se movimentarem bem como deviam, entretanto, me ajudam a passar o tempo.
Acabo lembrando de teus sorrisos, do teu largo e profundo sorriso. Era de uma tranquilidade vê-la sorrir, que tal gesto, para mim, era único, mesmo quando tal não fora direcionado para meu ser, sentia-me imediatamente acolhida.
Em meus olhos o fogo da lareira, a xícara em minhas mãos e na memória enferrujada teus dentes amarelados, brincalhões. Como me apetece lembrar de teus sorrisos, faz-me bem, o tempo para e a serenidade retorna.
Bebo meu café, olhando para os lados, notando que ainda não chegastes. Ao terminá-lo coloco a xícara em um canto, volto para próximo da lareira, e desajeitada, deito-me.
Cansada, acabo adormecendo em frente a lareira, não conseguindo desperta ficar para a tua chegada.
Minutos após embalar no sono, tu chegastes. Na ponta do pé, lentamente avizinhou-se ao meu lado, deitando lentamente para não me acordar.
No dia seguinte acordo espreguiçando-me, ao olhar para o lado oposto que estou, deparei-me contigo, sorrindo.
Não sei se era minha memória enferrujada ou uma realidade alternativa, no entanto, teu sorriso continuava único e ao invés de me levantar, dormir ao teu lado pareceu-me mais afável e convidativo.

