O ano era 2007, um evento importante do qual fiz parte, não só a mim, mas uma grande galera.
Foi exatamente em 2007, que a memória mais gostosa da minha vida, aconteceu.
Estava eu neste evento dançando, dançando loucamente e me divertindo, sem pensar em muitas coisas, só na melhor vibe daquele dia. Ali estava eu, avistando uma multidão, um mar de pessoas também na mesma vibe. Por sinal, na época, era menor de idade e a única coisa que pensava era em diversão.
Passa-se algumas horas, foi quando me dei conta que na minha frente, ocorria algo diferente, uma sensação diferente, uma energia diferente. Um raio contagiante, algo que nunca senti antes.
Uma linda guria, pele clara, rosto arredondado, delicada, olhos puxados e negros, cabelo liso e curto, em minha frente estava a dançar. Mal lembro a música, mas lembro nitidente os movimentos de seu corpo, a felicidade em seu rosto, e aquela energia envolto de sua dança.
Era mágico, a multidão sumiu assim que a notei, nada era mais importante que vê-la solta, que vê-la em seu próprio gingado, em sua própria festa. O sambódromo era todo dela, só existia a música e ela naquele ambiente, nada mais.
Tentava desviar o olhar, tentava não sorrir com ares de desejo, porém não conseguia, ela me fisgou, me arrematou, me ganhou. Soube naquele instante que a amava, na verdade, descobri naquele instante o quanto a amava.
Teu sorriso para mim, tua dança para ti, teu momento mais íntimo, eram tão belos, que não fazia sentido ver outras pessoas, não fazia sentido ter outros naquele instante, só você e sua dança eram necessários para meus olhos.
No fim daquele dia, voltamos juntas para casa e antes de irmos dormir, pela primeira vez soletrei o que havia de mais verdadeiro no âmago da alma, o amor que só descobri naquele dia. Soletrei em tons de alegria um EU TE AMO, tua felicidade por ouvir tais palavras era tanta, que fui abraçada por beijos, mas não era teus beijos que me acalentava, mas sim, saber que já amava há tempos, no entanto só pude notar ao lhe ver dançar.
Não lembro das flores que já dei, não lembro dos presentes, nem dos chocolates, nem quantos verões já se passaram, mas lembro com nitidez, aquela dança, aquele sambódromo, aquele sentimento que não consigo explicar. Lembro com clareza, quem me fez a menina, mulher, a jovem mais feliz daquele lugar.
A lembrança mais gostosa da minha vida, é saber que compreendi o quanto a amava ao lhe ver solta, ao lhe ver livre, e eternizo essa lembrança, pois tu é livre, tu é solta, e sempre será livre, sempre será solta. Mesmo que no fim do sambódromo, não dancemos mais juntas, a lembrança é o fio que o amor existiu, e que continuou… Livre….

