Os fones no ouvido tocando desde jazz, blues, rock, clássicos, folk, enfim até a famigerada e não menos importante música nacional . Sentada em frente a janela com um copo de café, nos fones o volume máximo e nos olhos a paisagem da manhã.
A delicadeza do céu azulado, combinando precisamente com Agora Quero Ir de AnaVitória. A música tocando e o céu e suas nuvens sendo o clipe mais lindo para cada frase e suavidade da música. As nuvens vão ganhando espaço e o céu que era quase todo azul, começa a ganhar novos semblantes, e uma nova música começa a tocar. Oswaldo Montenegro e seu Bandolins, é a pedida dessa lista sem escolhas, apenas começa a tocar.
Levanto da cadeira e por impulso começo a dançar com os olhos fechados, me rodopio conforme a melodia me leva. Dedilhadas delicadas no bandolim e a voz do Oswaldo sendo meu companheiro neste dia. Fecho a música, sentando novamente. Logo Sarah Brightman, com seu lírico toma conta, mesmo sabendo que Scarborough Fair seja de Simon & Garfunkel, na voz dela é mágico. A melodia ecoa como magia, sinto-me longe, em um reino onde não consigo detalhar, mas o poder me entorpece.
Olho pela janela, e as nuvens começam a ficar em tons de cinza escuro, demonstrando claramente a intenção de chorar. E em meus fones, as músicas continuam em tons leves, até então. Foreign Hands de George Ogilvie, é a música enquanto as nuvens se juntam para poderem desabar em nós toda sua tristeza, ou, alegria. A maciez do som, dão cores mais brandas as nuvens carregadas. Pela janela, pessoas passando, algumas já com seus guarda-chuvas preparadas para não se molharem. Ônibus, carros, todos em silêncio, apenas deixando George cantar sua canção. Supercombo e Negra Li já emplacam em seguida com Lentes, a música já distorce todo o cenário, na rua, as pessoas já não parecem as mesmas, nem os carros ou casas. Sem que esperasse uma nova música, as nuvens começam suas lágrimas, o céu começa a chorar, cada gota parecia uma animação. Uma gota desenhada, caindo ao chão.
The Doors, logicamente não queria ficar de fora, e lançou em meus ouvido logo People Are Strange, sendo a harmonia e a união perfeita entre as pessoas do outro lado da janela e eu. Quem reconheceria a mim? Quem lembraria de mim? eles nem sabem que estou os observando enquanto as músicas tocam.
A chuva começa a ficar mais forte e Love Will Tear Us Apart de Joy Division começa a tocar, esperava que fosse Disorder, mas ok. Essa música também conta parte da minha história, e desse dia. O temporal passa, o café acabou, as pessoas já sumiram e o dia também está prestes a acabar. A última música que roda nos fones é do Evanscence, Breath no More.
A janela não é mais atrativa, o café não me importa mais. A cartela dos remédios já está vazia e eu estou na sala com eles em uma mão e o copo de água na outra. Amy Lee graciosamente canta ao pé do meu ouvido, enquanto sento no sofá, chorando. Olho os remédios, e eles me parecem atrativos, deliciosos para a última ceia do dia.
A música quase em seu fim, minhas lágrimas não permitindo que as pare e a vontade de não respirar mais fica a cada minuto parecendo a última saída. A tv vira um espelho, onde meu reflexo distorcido, me faz parecer mais deprimente do que estou. Amy Lee termina sua canção… o silêncio paira, sem mais nenhum tipo de movimento. O copo de água já está vazio e os remédios sumiram.
O silêncio fora a última música tocada por entre todos os ambientes.
As músicas citadas aqui:
Anavitória – Agora Quero Ir – Clique aqui
Oswaldo Montenegro – Bandolins – Clique aqui
Sarah Brightman – Scarborough Fair – Clique aqui
Versão de Simon & Garfunkel – Scarbrough Fair – Clique aqui
George Ogilvie – Foreign Hands – Clique aqui
Supercombo e Negra Li – Lentes – Clique aqui
The Doors – People Are Strange – Clique aqui
Joy Division – Love Will Tears us Apart – Clique aqui
E um extra de Division – Disorder – Clique aqui
Evanescence – Breath no More – Clique aqui

