O futuro

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Sentada na beirada do terraço do prédio de vinte andares, olhando o céu cinza claro e notando as diminutas pessoas, as formigas, andarem lá embaixo, questiono em minha mente sobre o futuro.

Um futuro incerto, insosso, improvável ou irreversível, quem sabe. Indagando a necessidade de pensarmos no futuro, a necessidade de planejarmos um futuro, quiça ele nem ocorra de fato. Por que então nos preocupamos tanto? Por que projetamos cenas de algo que não sabemos se ocorrerá? Qual a finalidade disso tudo? Não tenho como responder tais indagações.

Continuo ali sentada observando as formigas se movimentarem, algumas em casais, outras solitárias, algumas me notam lá de baixo, outras nem sabem que estou observando elas. Porém ainda pensativa, ainda questionando.

Acabo lembrando de uma prosa , onde o futuro era a palavra da conversa. Especulava-se como um casal daria certo por serem tão parecidos, tão iguais. Em que, em um futuro imaginado, funcionariam muito bem juntos. Oras, decerto, era uma conversa incrivelmente plausível, afinal, estávamos dialogando sobre pessoas que se identificavam. Pessoas que tinham gostos, trejeitos, ideais similares, como não poderiam dar certo? No entanto, conjecturar possibilidades não é algo simples. existem fatores para que o casal aconteça, e uma delas é viver o presente.

Voltei meus olhos para o céu enquanto mexia minhas perna para frente e para trás, ainda com a lembrança da prosa. Realmente, o futuro pode ocorrer como planejamos? Sim, mas existe o fator presente para o futuro existir. E se porventura, sejamos inseguros e vivemos o presente com medo? Planejar um futuro seria necessário? Ele sairá de acordo com o que queremos ou será torto? E volto com as indagações sem respostas.

Olho novamente para baixo, noto que existe uma quantidade razoável de formigas paradas olhando para mim. Levanto da beirada do terraço, fico de pé na ponta dele. Fecho os olhos e me jogo.

Nesse pequeno momento, minha mente para de indagar o futuro, para de acreditar, para de criar expectativas, para, simplesmente para. E em um segundo, estou no chão, sem nada em mente, apenas um sorriso.

Volto a abrir os olhos, levanto uma das mãos esperando poder tocar no céu cinza, e não espero mais futuro algum.

Ali durmo, naquele terraço frio, esperando uma próxima vez indagar novos pensamentos e me jogar novamente no chão, apenas para dormir, já que no momento, estou planejando meu futuro neste terraço.