Após o chá da tarde, regado por frases misteriosas, elas se despedem, entreolham-se e partem.
Em seus caminhos, cada qual segue pensando sobre aquele chá, aquele fim de tarde, como a conversa chegou aquele ponto. Pareciam extasiadas, porém felizes pelas escolhas que fizeram e o caminho que seguiam.
Uma delas, no entanto, no meio do caminho preferiu parar e sentar em um banco, olhar a sua volta e se questionar: por que fazemos escolhas? Por que decidimos o que faremos, se nem sabemos o futuro? É certo interromper algo que por sinal não existe? Ou não sabemos lidar conosco e preferimos não expor nossas inseguranças? Em sua cabeça, as perguntas rodavam, rodopiavam, porém sem soluções. Ela se levanta do banco, volta para seu trajeto, olha para o céu com suas misturas de cor, escurecendo para a noite chegar, solta um suspiro forte, decepcionada, pois nada tem uma resposta simples, e some no horizonte rumo a sua casa.
A outra, não parou, não sentou, não questionou, continuou seu caminho sem mudanças de trajeto, acreditava na escolha que fez, mesmo se houvesse dor, era algo suportável.
No fim, a escolha feita pelas duas, mudou seus rumos, suas lembranças, seus trejeitos. Nada era tão simples, e mesmo que se esbarrassem entre as ruas, a vaga noção do escolhido já não as faziam se entreolharem, eram apenas lembranças gastas, que não fazia sentido nenhum abraçar.
Mesmo assim, pararam, esperaram um o movimento da outra de olhar para trás, mas o medo as impediu, respiraram fundo e continuaram seus caminhos sem ao menos darem um sorriso.

